São Gonçalo do Rio das Pedras, um arraial de antigamente
Após 35 quilômetros pela Estrada Real, saindo de Diamantina em direção ao Serro, encontra-se uma placa de boas vindas ao viajante, anunciando a bucólica São Gonçalo do Rio das Pedras. O antigo vilarejo é visto do alto de um monte, ao fundo, construído ao redor de uma igrejinha branca e azul – a Matriz de São Gonçalo, datada de 1787. Aos poucos, o povoado vai surgindo: a rua estreita de casarões antigos, um gramado aonde vacas dormem debaixo de uma paineira, meninos que assistem ao futebol de domingo na televisão do bar.
Aqui, a Minas de antigamente ainda existe. Tudo remete ao passado. Mulheres cozinham goiabada num enorme tacho de cobre, vinhos artesanais são produzidos numa birosca. A diversão dos homens é jogar sinuca e enrolar cigarrinho de palha. Já as mulheres gostam de tecer e fofocar. O carteiro só aparece às terças e sextas. O padre só faz a reza uma vez por mês. São Gonçalo parece cenário de presépio, um lugar aonde sua gente hospitaleira ainda encara os carros com o receio de uma novidade. O vilarejo de 1300 habitantes parece esquecido em algum lugar do passado, estático em sua tranqüilidade.
Esconderijo
A alguns metros da Igreja Matriz fica a pousada Refúgio dos Cinco Amigos, da suíça Anne Marie Kuhne. Radicada no Brasil desde 1971, ela pisou pela primeira vez em São Gonçalo em 1975, durante uma longa caminhada entre Diamantina e Conceição do Mato Dentro.
Naquela época, Anne encontrou em São Gonçalo uma vila arrumada, mas sem luz elétrica e água encanada. Encantada com o lugar, ela abandonou o Rio de Janeiro, onde lecionava na escola alemã, e com toda as suas economias e dinheiro emprestado de familiares, comprou ali um casarão. Montou primeiro uma colônia de férias, que acabou se transformando, em 1984, numa rústica pousada.
É ela quem recebe seus hóspedes, dá dicas de turismo local, conta estórias e presta todos os serviços que mantêm a pousada sempre hospitaleira. Durante a semana, quando o movimento é menos intenso, Anne presta serviços comunitários, educando as crianças locais com aulas de flauta.
A sugestão do nome da pousada veio de uma criança que, às vésperas do encerramento da colônia de férias, escutou uma estória de Anne sobre um esconderijo onde cinco amigos brincavam e se divertiam. Daí a sugestão do menino para o nome: Refúgio dos Cinco Amigos.
Em São Gonçalo do Rio das Pedras, além do aconchego de um antigo arraial, pode-se encontrar uma cooperativa de doces. Na Casa de Doces, senhoras preparam tachos de goiabada, marmelada, pessegada, doces em barra e em conserva. Quanto aos restaurantes “tradicionais”, desses em que há cardápio, existe o Angu Duro, especializado em massas artesanais. Lá encontram-se deliciosos bolinhos de queijo que devem ser provados. Quanto aos demais “restaurantes”, a opção dos clientes divide-se em aceitar ou não o que há para ser servido.

