A mercearia Paraopeba, um armazém
Segundo o dicionário Laudelino Freire, o significado da palavra armazém nada mais é do que “uma casa grande onde se guardam mercadorias”. Ou então, como era conhecido antigamente, pelo nome de armazém de secos e molhados, é uma “loja onde se vendem gêneros alimentícios, bebidas, utensílios”.
A origem da palavra armazém vem do árabe, de al-mahazan, que significa “lugar de arrecadação, entreposto”. Com as definições da palavra devidamente explicadas, responda então: por quê é tão difícil achar hoje em dia a palavra armazém estampada na porta de alguma loja? Seria preconceito com a palavra árabe? Será que é considerada coisa muito antiga? Ou seria por causa da invasão de uma outra palavra, também estrangeira, a delicatessen? De uma forma ou de outra, achar um armazém não é coisa fácil.
É escondido no interior de Minas, na cidade de Itabirito, o lugar aonde se abriga um típico armazém. Mas até mesmo o verdadeiro armazém não se chama armazém, e sim mercearia. Pode? Mas não se preocupe, a Mercearia Paraopeba nada mais é do que a verdadeira loja aonde se encontra de tudo, exatamente como décadas atrás. O proprietário chama-se Roney, ou Roninho, e, como todo dono de armazém, está sempre negociando, falando mais que a boca, e atendendo cada cliente pelo nome.
Roney recebe diariamente propostas de gente que quer lhe vender algo esquisito e exótico. Muitos chegam a cavalo e o amarram em sua porta antes de iniciarem a negociação, que na maioria das vezes é aberta com um brinde de boa pinga. Cabe a Roney cantar o preço da mercadoria e decidir se quer ou não expor o produto para venda em sua loja. O vendedor chia, chora, mas acaba apertando sua mão. Mais um brinde e pronto, o produto está exposto no armazém.
Roney recebe proposta de tudo que é jeito: ovo de avestruz, sangue de frango, umbigo de banana, semente de jurubeba, sabão feito de cinzas, broto de samambaia, pedaço de arado. E ainda há o que é vendido no dia-a-dia: galinhas vivas dentro de balaios, tabaco, palha para enrolar cigarro, banha de porco em garrafas pet de dois litros, mandiopã, goiabada embrulhada na folha de banana, bota de couro, carne de sol, chapéu de palha, farinha de milho, canivete, caneta BIC, bala jujuba, etc, etc…
- Mercearia Paraopeba: Rua João Pessoa, 110 – Itabirito – MG – (31) 3561-2656

