A fruta que a vaca não come
Muitos decidem se hospedar na Pousada Menestrel por ser de propriedade do ator Jonas Bloch. Chegam logo perguntando pelo ator de inúmeras novelas globais. Depois questionam quantas vezes a Débora Bloch, filha de Jonas, já esteve na pousada. Preocupados com as celebridades, eles não sabem o quanto a pousada é aconchegante, ideal para curtir um clima de romance, longe de qualquer pessoa, seja ela artista ou não.
Sylvia Vianna, esposa de Jonas, é quem cuida da pousada. Ela sabe que independente de quem esteja ou não na pousada, o carinho daqueles que a construíram, no caso ela e Jonas, sempre estará presente. Sylvia é filha de um nordestino – seu pai é de Alagoas – com uma mineira. Dessa mistura nasceu alguém que busca a tranqüilidade, o equilíbrio do ser humano com o meio ambiente.
Tanto o nordestino – que sonha em ter um pedacinho de terra -, quanto o mineiro – um povo que só deixa seu Estado se for com o intuito de mudar o mundo -, são dois povos que se orgulham dos costumes e tradições de seus antepassados.
Sylvia cresceu em Belo Horizonte, onde se formou em teatro e jornalismo. Visitou Lavras Novas pela primeira vez quando ainda criança, mas só se apaixonou pelo lugar anos mais tarde, quando passou a visitar parentes que construíram casas no vilarejo. Sempre adorou sossego, montanha, pôr-do-sol, noites enluaradas. Ali tudo isso existia com naturalidade. Anos depois, Sylvia Vianna descobriu um novo amor.
Terra para cavucar
Em viagem ao Rio de Janeiro para apresentar a peça As Mulheres de Holanda, Sylvia conheceu Jonas Bloch, que estava na platéia. No final da apresentação, ele foi cumprimentá-la. Sylvia agradeceu os elogios e aproveitou a oportunidade para convidá-lo a dar cursos relacionados com teatro em Belo Horizonte. E assim começou o namoro. Logo quis apresentá-lo à sua outra paixão: Lavras Novas, onde ela sonhava em ter uma casinha. Ele gostou do lugar, mas tentou várias vezes convencê-la a optar por alguma outra cidade mais perto do Rio de Janeiro. Mas Sylvia nunca se dava por satisfeita.
As cidades eram ou muito urbanas ou sem montanhas o suficiente. “Ou sem terra boa para a gente cavucar”, conta. Até que num Natal veio a surpresa: Jonas lhe deu de presente uma pá de jardim. Sem entender direito, ela agradeceu sem entusiasmo: “pô, bacana. Obrigada, né”. Mas o que não sabia era que a pá iria ser usada na terrinha que tanto queria cavucar. Junto do presente, Jonas lhe entregou um envelope, com a escritura de um terreno em Lavras Novas. Custou a acreditar: “Jamais imaginava que Jonas fosse embarcar na sua história de querer morar nas montanhas”.
Marca registrada
Tempos depois o casal comprou o terreno ao lado da casa que construíram e criaram a Pousada Menestrel, que foi sendo ampliada aos poucos. Como ficava muito ociosa quando Jonas viajava com as peças de teatro Brasil afora, Sylvia decidiu criar um Café, com um cardápio de comidas fáceis e saborosas. Colocou um escondidinho em homenagem a sua descendência nordestina, saladas, sanduíches, além de bolos e pães que ela criava. Até que um dia decidiu procurar algum produto que fosse típico de Lavras Novas. Mas o quê?
Ao longo das cercas das casas, Sylvia percebeu que havia vários arbustos com morangos silvestres. Perguntou a uma de suas funcionárias por que os moradores não apanhavam as frutas. A resposta foi que ninguém na cidade gostava delas, nem mesmo as vacas. Na verdade, eles achavam a fruta azeda, e as vacas não chegavam perto dos arbustos por causa dos espinhos. Sylvia logo teve uma idéia para aproveitar os morangos silvestres: faria uma calda para cobrir uma torta de iogurte que adorava. Colheu as frutas e colocou tudo numa panela, salpicando um punhado de açúcar por cima. Minutos depois, a calda estava pronta. Bastava fazer a torta de iogurte. Estava assim criada a marca registrada do Café: torta de iogurte com calda de morangos silvestres apanhados no quintal.

