A Bisteca D’Ouro do Sujinho
De sujinho o Sujinho não tem nada. Do lado de fora do restaurante, há jardineiras com flores e chão impecavelmente varrido. Do lado de dentro, toalhas de mesa recém lavadas, paredes brilhando, balcão e piso limpíssimos.
Décadas atrás o movimento era tão grande que os garçons, entre uma mesa e outra, não tinham tempo para limpar as ocasionais migalhas que caiam no chão. Com isso, os clientes carinhosamente o batizaram com o inusitado nome de Sujinho. Anos depois, o apelidaram também de Bisteca de Ouro em função da qualidade da carne servida no local. Hoje todos o conhecem como Sujinho – A Bisteca D’Ouro.
O restaurante Sujinho surgiu na década de 60 na região da Consolação. Nesta época, a vizinhança era conhecida como boca do luxo devido às boates e casas de espetáculos que ali existiam. Desde sua inauguração, o estabelecimento sempre se mostrou democrático, aceitando os mais diversos tipos de clientes: de artistas da jovem guarda às “damas da noite”, de políticos a boêmios, de socialites a esportistas. Quase meio século se passou e o local continua com um ambiente descontraído e informal, servindo os executivos na hora do almoço e os baladeiros na madrugada.
O Sujinho foi fundado por dois portugueses. Uma vez que os dois sócios se chamavam Antonio, um ficou conhecido como o “careca” e o outro como o “cabeludo”. Foi deles a idéia de servir o contra-filé com osso, ou seja, a bisteca bovina, como especialidade da casa. Preparado na grelha, a carne logo conquistou os fregueses. Com o aumento do número de freqüentadores, os portugueses se viram obrigados a instalar uma nova churrasqueira. Hoje, na entrada do restaurante, vê-se a grelha em tons de cobre de onde sai as famosas bistecas. Nos anos 80, os Antonios decidiram se aposentar e colocaram o estabelecimento à venda. Por ironia do destino, o Sujinho foi comprado por dois portugueses também xarás: o Afonso pai e o Afonso filho, que administram a casa com maestria até hoje.
Após o cliente tomar assento, os garçons servem um couvert de pão com manteiga, salada de repolho, e cebolas curtidas no vinagre. Sugerem ainda a mussarela de búfala, uma das especialidades da casa. Depois de saborear a entrada, o garçom quase sempre anota o mesmo pedido: bisteca. Com cerca de 700 gramas, o corte chega à mesa suculento, macio e saboroso. Depois de provar a famosa bisteca bovina, há a certeza de que o apelidado Bisteca D’Ouro é justo.

