O bar que fecha às 20:30hrs

Quando Seu Leopoldo inaugurou o Bar Léo, em 1940, este não tinha placa nem nome. Com o tempo, o local conquistou clientes fiéis, dentre os quais o senhor Hermes de Rosa, dono de uma mercearia na vizinhança. Em 1964, quando Seu Leopoldo quis vender o bar, foi ele um dos primeiros a mostrar interesse na compra. Depois de fechar o negócio, Hermes de Rosa batizou o estabelecimento de Bar Léo – em homenagem a seu fundador -, e passou a servir o chope aclamado como um dos melhores da capital paulista.

A chopeira do Bar Léo é um dos ícones de São Paulo. Posicionada sobre um balcão de granito na entrada do bar, extrai uma média de 150 litros de chope por hora nas tardes de sábado. O segredo para a qualidade da bebida se deve a uma série de fatores. Primeiro: jamais servir um chope com menos de três dedos de colarinho. “Se quiser sem espuma, mal tirada, basta ir à padaria da esquina”, brinca o chopeiro. Segundo: servi-lo em calderetas lavadas com sabão neutro para garantir a durabilidade e a consistência do creme. “Essa taça tulipa fininha que há por aí é coisa de pequeno burguês”, comenta um dos clientes. Terceiro: os barris são mantidos em local refrigerado. Antes de alcançar a torneira, o chope atravessa um resfriador e, depois, uma serpentina envolta em gelo. Finalmente, para garantir o sabor e a cremosidade, existe Joaquim, o chopeiro que garante a qualidade da bebida há anos.

Ambiente animado e descontraído

Quem chega ao Bar Léo pode escolher ficar em pé ao redor de mesas altas na calçada, dentro do bar junto ao balcão, ou buscar assento nas mesas do salão. A ambientação da casa é feita por canecas de chope dependuradas, quadro com porta copos, e prateleiras com garrafas diversas lado a lado.

Por todo canto, a animação corre solta. O conversa é alta e regada por muito chope. O serviço é de primeira. Garçons carregam sem parar as bandejas cheias de calderetas e porções de tira-gosto. O vai-e-vem de funcionários e clientes é tão grande que o chão sofre as conseqüências. Quem caminha pelo Bar Léo nas horas de pico sente o sapato grudar no piso.

Canapés e bolinhos de bacalhau

À esquerda da chopeira está a vitrine de petiscos onde um funcionário prepara os famosos canapés do Bar Léo. Diante dele, há cumbucas com azeitonas verdes e pretas, picles, ovos de codorna, e carne moída crua. Os ingredientes servem também para o preparo de sanduíches e tira-gostos que casam com o chope gelado. Dentre os destaques do cardápio há os canapés no pão preto: rosbife caseiro; rococó, feito com pasta de gorgonzola e copa; Blumenau, com linguiça defumada moída, e o Hackpeter, com carne crua. Dentre os sanduíches, o mais famoso é o Polaco, feito com rosbife caseiro com queijo prato e cebola. Na cozinha são preparadas porções de bolinhos de bacalhau (um dos petiscos mais pedidos do bar)e de pasteizinhos, além de um saboroso salsichão com alho.

O badalar do sino

Além do aclamado chope, o Bar Léo é conhecido por suas peculiaridades. Um exemplo é a mesa redonda para até oito pessoas que é dividida por gente que não se conhece. Eventualmente, alguns se tornam colegas de copo e outros até amigos. Outra inusitada característica do bar é o badalar do sino às 20h30min anunciando ser hora de ir embora. O fato acontece diariamente, de segunda a sexta, tão logo os ponteiros do relógio acusam a hora em questão. Não há cliente que ouse discutir. Os garçons passam servindo a última rodada de chope e, depois, a conta. A tradição perdura há anos e é uma das singularidades que faz do bar um dos mais queridos dos paulistanos.

Onde Comer

Bar Léo
Rua Aurora, 100 - Santa Efigênia
(11) 3221-0247