No Bolinha, todo dia é dia de feijoada

Na maioria dos restaurantes brasileiros, a feijoada é servida somente aos sábados. Em alguns, pode-se encontrá-la também às quartas-feiras. Raríssimos são aqueles que a sirvam todos os dias da semana, de segunda a segunda, seja dia ou seja noite. O Bolinha é esta exceção.

O restaurante Bolinha foi fundado em 1946 quando o então motorista de táxi Affonso Paulillo, filho de italianos, arrendou seu veículo e comprou um bar na Avenida Cidade Jardim. Apaixonado por futebol, Bolinha – apelido carinhoso pelo qual todos chamavam o rotundo Affonso -, jogou no Palestra Itália antes de abandonar os gramados por causa de uma fratura na perna. Em meados dos anos 50, ele era o presidente do Jardim Europa Futebol Clube, um time de várzea da capital. Durante a disputa de um campeonato, Bolinha prometeu fazer uma feijoada para os jogadores caso conquistassem o título. Com a vitória, ele cumpriu sua promessa e, após os inúmeros elogios ao prato servido, fez da feijoada o carro-chefe de seu restaurante. Durante anos, a iguaria era servida somente às quartas e sábados, fato este que mudou em 1976, quando o estabelecimento passou a servi-la diariamente.

Com o falecimento de Bolinha em 1986, seus filhos, José Orlando e Paulo Affonso, passaram a administrar o restaurante com o mesmo empenho do pai. Ambos seguiram adiante a tradição de cozinhar a feijoada sem pressa e com muito carinho. O sucesso do mais brasileiro dos pratos entre os clientes se deve a uma série de fatores. Inicialmente, as carnes são selecionadas e lavadas. Retira-se então todo o excesso de gorduras e nervos. Em seguida, as carnes ficam de molho em água por 24 horas antes de serem fervidas separadamente. Depois de descartar o líquido da fervura, cozimento, dá-se o início do lento cozimento em fogão à lenha da carne junto com o feijão. Outro segredo que garante a excelência da feijoada é acrescentar uma xícara de suco de laranja a cada 10 litros de água para ajudar na dissolução da gordura das carnes.

Diferentemente do que acontece em muitos restaurantes, todas as carnes usadas no preparo da feijoada são servidas juntas em uma cumbuca de barro. Com isso, o caldo tem muito sabor e uma textura untuosa. Após assentar à mesa, os clientes são servidos de uma pequena jarra com batida de limão. Em seguida, recebem uma cesta com pães de queijo quentinhos, torradas de alho, e croquetes. Sobre a mesa, há pequenos potes com molho de pimenta de diversas intensidade e farinhas de diferentes tons. No instante em que a feijoada é servida, os garçons colocam a ser redor várias guarnições: um pouco de torresmo sequinho e crocante, couve fatiada fininha e bem verde, gomos de laranja, arroz branco, mandioca frita, banana à milanesa, linguiça calabresa, bacon torradinho, e uma fatia suculenta de bisteca de porco. Já a feijoada, a respeitada protagonista, desprende um aroma encantador. O caldo é espesso e as carnes derretem na boca. Depois de provar a feijoada do Bolinha, há a certeza de que sua fama de ser uma das melhores do Brasil é merecida.

A feijoada do Bolinha

A feijoada do Bolinha é servida em duas versões: tradição e magra. Abaixo, a lista das carnes em cada uma delas e os diversos acompanhamentos.

Tradição: Pé, rabo, orelha, costela salgada, carne seca, lingüiça portuguesa, paio, lombo defumado, língua defumada e bacon.

Magra: Carne seca, paio, lingüiça portuguesa, costela salgada, lombo defumado e língua defumada.

Guarnições: Arroz branco, couve a mineira, mandioca frita, banana a milanesa, linguiça calabresa frita, bacon torradinho, torresmo, bisteca de porco grelhada, farinha de mandioca torrada, molho de feijão apimentado, laranja cortada, jarra de batida de limão.

Iguarias

Onde Comer

Bolinha
Avenida Cidade Jardim, 53 - Jardim Paulistano
(11) 3061-2010