O mercado que só os mineiros sabem

As montanhas escondem o que é Minas
Ninguém sabe Minas
Só os mineiros sabem
E não dizem nem a si mesmos o
Irrevelável segredo chamado Minas.
Carlos Drummond de Andrade

Quem deseja conhecer a Minas que só os mineiros sabem, deve ir ao Mercado Central de Belo Horizonte. O local é ponto de encontro deste povo que, conforme os versos de Fernando Sabino, “Não dá ponto sem nó. Não conversa, confabula. Não combina, conspira”. Em um passeio por seus corredores labirínticos, é possível vivenciar algumas das tradições mineiras: escolher um queijo curado pelo som emitido, beliscar uma porção de fígado acebolado com jiló, saborear um pedaço de abacaxi no espeto, conhecer o ora-pro-nóbis e a taioba, e escutar palavras ditas com diminutivos e frases acrescidas de “uai”, “sô” e “trem”.

A história do mercado

Em 1929, com o objetivo de centralizar o abastecimento da capital mineira, facilitando a vida de seus pouco mais de 47.000 habitantes, o prefeito Cristiano Machado inaugurou o Mercado Municipal de Belo Horizonte. Os feirantes foram reunidos num terreno de 22 lotes que totalizava uma área de 14.000 metros quadrados. Em 1964, o então prefeito Jorge Carone optou pela venda do local, alegando impossibilidade administrativa. Após a compra do Mercado Municipal pelos próprios comerciantes, este passou a se chamar Mercado Central de Abastecimento e Serviços de Belo Horizonte. Pouco tempo depois, por determinação contratual da Prefeitura ante a venda aos comerciantes, o mercado foi pavimentado, coberto com estrutura metálica, e edificado com um novo pavimento a ser utilizado como estacionamento.

O Mercado Central de Belo Horizonte está localizado nas proximidades da Praça Raul Soares, no centro da capital mineira. Em suas mais de 400 lojas é possível encontrar de tudo: da carne de sol de Montes Claros à lingüiça de Formiga, da goiabada de Ponte Nova ao doce-de-leite de Viçosa, dos queijos do Serro aos doces de Araxá. Além das iguarias que compõe a mesa mineira, há setores que comercializam artesanato, animais domésticos, e artigos para o lar como louças e panelas. Outras características que o diferencia dos demais mercados do país são os bares cujos tira-gostos são saboreados em pé no balcão, além da existência de um estacionamento interno.

Pelos corredores do mercado

Um passeio pelo Mercado Central deve começar pelo elevador que liga o estacionamento, no andar superior, às lojas do térreo. Dentro dele, está Terezinha, a ascensorista que se tornou personalidade local. Sempre com muito bom humor, ela cumprimenta a todos com um imenso sorriso e, em poucos segundos, conta histórias, piadas e receitas entre um andar e outro. Ao sair do elevador, o visitante encontra uma das mais famosas bancas do mercado: a do abacaxi. Siga a tradição local e peça um pedaço da fruta, que é servida docíssima e espetada num palito de madeira. Perto dali estão o Ao Uirapuru, loja especializada em artigos para casa como louças, panelas, e talheres; e a Loja do Heraldo, que comercializa potes e garrafas de vidro em tudo que é formato e tamanho.

Num corredor paralelo está o setor de animais domésticos, onde há sabiás, canários, periquitos, pavões, patos, gansos, galinhas caipira e d’angola, gatos, cachorros, e hamsters.

Perpendicular ao corredor anterior, está o setor das lojas especializadas em queijos e derivados do leite. Tanto a Loja do Itamar quanto a Laticínios Irmãos Costa oferecem produtos de diversas regiões de Minas. Há os queijos do Serro e da região da Serra do Canastra, o doce-de-leite Viçosa, as compotas de Araxá, além de mussarela trancinha, requeijão em barra com raspa do tacho, e provolone em diversos tamanhos e graus de maturação. Neste mesmo corredor, há ainda a Bom Cacau, que oferece produtos relacionados a festas infantis, e a Tripocel, especializada na venda de produtos para o feitio de lingüiças como moedores e tripas secas de diversos animais.

Ao final do setor dos queijos, está um dos melhores botecos de Belo Horizonte: o Casa Cheia. Vencedor do festival Comida di Buteco em 2005, o estabelecimento oferece um cardápio de deliciosos tira-gostos preparados com ingredientes mineiros como costelinha, canjiquinha, ora-pro-nóbis, e jiló. Aos fundos do Casa Cheia está a área reservada a venda de artesanato.

No corredor que corre paralelo a Rua Curitiba estão as lojas Coisas D’Hana, que comercializa produtos e iguarias árabes, e Casa dos Chás, onde se encontra uma gigantesca variedade de ervas e raízes medicinais. No fim do corredor, virando à direita, há o Papa Pimentas, especializado na venda de diferentes espécies deste adorado e ardente fruto, e o Gabriel Limonada, que há décadas vende limonada pura ou misturada com groselha.

Adentrando-se para o centro do mercado, encontra-se o Verduras Adriano, que disponibiliza aos clientes ervas frescas, mini legumes, e folhas desconhecidas por muitos como: mostarda, taioba, ora-pro-nóbis, couve japonesa, azedinha, e almeirão. Mais adiante, há o Ponto da Mandioca e das Pimentas que, além de vender os produtos especificados em seu nome, oferece palmito fresco. Ao lado, a Feijoada de Minas comercializa todos os ingredientes necessários para uma feijoada, além de carneiro, cabrito, leitoa, coelho, frango caipira, rã, pato, codorna, perdiz, e vitelo. Em frente, na Nossa Loja, há a oferta de bules e canecas esmaltadas em diversas cores. Perto do final do corredor, à esquerda, está o Café 2 Irmãos, onde se toma o pretinho feito em coador. Logo adiante, chega-se à Cachaça de Minas que, além de contar com centenas de rótulos do destilado, possui licor, bala e gelatina de cachaça.

Pelos corredores internos, encontra-se: a Barraca do Patureba, especializada em frutas; a Banca Santo Antônio, que oferece uma imensa variedade de especiarias e condimentos; a Guaraná e Cia, que vende sucos de frutas do cerrado; o Ponto da Empada, que serve uma deliciosa empada de queijo com goiabada; além do Império das Azeitonas, do Eskinão da Mandioca, do Paraíso dos Ovos, da Peixaria Modelo. São tantas as opções que um dos grandes prazeres ao visitar o mercado é exatamente se perder em meio a enorme diversidade de lojas tão singulares.

Mercado Central de Belo Horizonte

Av. Augusto de Lima, 744 – Centro
Belo Horizonte – MG
Tel. (31) 3274-9434

  • Ao Uirapuru: Lj. 116, tel. (31) 3274-9423
  • Loja do Heraldo: Lj. 110, tel. (31) 3274-9419
  • Loja do Itamar: Lj 148, tel. (31) 3274-9535
  • Laticínios Irmãos Costa: Lj 86, tel. (31) 3274-9545
  • Bom Cacau: Lj. 93, tel. (31) 3274-9399
  • Tripocel: Ljs. 68/81, tel. (31) 3274-0333
  • Casa Cheia: Lj. 167, tel. 3274-9585
  • Coisas D’Hana: Lj. 33, tel. (31) 3213-0793
  • Casa dos Chás: Lj. 35, tel. 3274-9633
  • Papa Pimenta: Loja 88, tel. (31) 3213-1136
  • Verduras Adriano: Lj. 260, tel. (31) 3273-6564
  • Ponto da Mandioca e das Pimentas: Ljs. 211 e 517, tel. (31) 3274-9456
  • Feijoada de Minas: Ljs. 214-216, tel. (31) 3274-9428
  • Nossa Loja: Lj. 02, tel. (31) 3224-2843
  • Cachaça de Minas: Lj. 920, tel. (31) 3274-9580
  • Barraca do Patureba: ljs 48/49, tel. (31) 3274-9514
  • Banca Santo Antônio: Lj. 177, tel. (31) 3274-9533
  • Guaraná & Cia: Lj. 77, tel. (31) 3274-9468
  • Ponto da Empada: Ljs. 11 e 186, tel. (31) 3274-9570