Cajueiro de papagaios
A capital de Sergipe, o menor estado brasileiro, foi fundada em 1855. Aracaju foi uma das primeiras cidades planejadas do país, com ruas construídas sobre terreno pantanoso junto à foz do Rio Sergipe. Com população de aproximadamente 500 mil habitantes, possui um dos melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) dentre as capitais nordestinas. O nome de batismo provém do tupi-guarani – ará, papagaio e acayú, fruto do cajueiro –, e significa cajueiro de papagaios.
Continuando o passeio, percebe-se que o mercado oferece uma imensa diversidade de produtos. Há boxes que vendem farinhas de diferentes torras e granulações, feijões claros e escuros, ervas frescas e desidratadas, sementes grandes e miúdas. Pode-se comprar coco ralado na hora, inhame descascado, e até fava de amendoim cozido.
No setor de carnes, encontra-se a triste realidade que impera na maioria dos mercados nordestinos. Sem refrigeração, os cortes são expostos sobre bancadas. Em temperatura ambiente, o odor exaurido por animais recém-abatidos pode causar náuseas àqueles que visitam o mercado pela primeira vez. Infelizmente, esta situação não é diferente na área destinada à venda de peixes e crustáceos. Sem armazenamento em gelo, o forte cheiro de frutos-do-mar expostos ao léu é tão perturbador quanto o do setor das carnes. Recomenda-se acelerar o passo e ver tudo de supetão. Somente se tiver o estômago forte, o turista conseguirá observar a rotina local: fregueses inspecionando o quão fresco são alguns peixes, jovens cozinhando moluscos como lambretas e sururus, e pessoas humildes comprando cabeças de peixe para fazer um caldo. Mais adiante estão os vendedores de caranguejos. Devido ao fraco movimento do dia, uma cansada feirante cochila cercada por cestas com uçás e guaiamuns vivos.
Na maioria das barracas, o visitante perceberá um povo de sorriso fácil, baixa estatura, chapéu enterrado na cabeça, rugas profundas e bigodes bem-aparados. Ao escutar a conversa dos aracajuenses, nota-se um sotaque cantado e repleto de adjetivos próprios como “arretado”, “vaca veia”, e “avexado”.
Um bom horário para conhecer o mercado é pela manhã. Assim, depois de percorrer os boxes, o visitante poderá terminar seu passeio experimentando o típico café da manhã do sergipano: fatias de bolo de macaxeira, tapiocas recheadas com coco ralado e, para beber, café escuro. Depois de ter provado as iguarias regionais, o visitante irá deixar o mercado com a certeza de que a capital do menor estado do Brasil possui uma gastronomia rica e singular.
Mercado Governador Albano Franco
Av. Antônio Cabral, 177.
Centro
Aracaju – SE.

