A Pororoca
O tempo é de calmaria. O silêncio, absoluto. Não há vento algum. As folhas das árvores permanecem estáticas. Até as aves parecem se calar. De repente, um barulho ensurdecedor. É como se dezenas de cavalos galopassem em plena floresta amazônica. Algo medonho parece se aproximar. Caboclos e ribeirinhos tratam de proteger suas embarcações e a si mesmos. Até que ela surge anunciando sua força sem igual. A pororoca. Contrariando todas as leis da natureza, as águas avançam rio acima. Grandes ondas desbarrancam encostas, arrancam as árvores. Nada ousa estar no meio de seu caminho.
A pororoca é um fenômeno da natureza que acontece devido ao encontro entre as correntes marítimas e fluviais. Na crescente da maré, as águas do mar tentam invadir o estuário, mas a corrente fluvial se opõe com resistência. Em determinado instante, o mar vence o rio e uma enorme onda, alimentada por ventos alísios, avança com fúria correnteza acima. O termo pororoca é originário do tupi-guarani e significa grande estrondo.
Em nenhum outro lugar do mundo, a pororoca é tão intensa quanto na foz do rio Araguari, no Amapá. Distante 150 km de Macapá, o local somente é alcançado após aproximadamente 15 horas de barco. O período de ocorrência do fenômeno são os dias de lua cheia ou nova nos meses de janeiro a maio e setembro. Nessa época, surfistas aventureiros buscam a região para tentar quebrar o recorde de permanência sobre a onda da pororoca. Ela costuma correr por até uma hora a uma velocidade de 30 km/h e o seu tamanho pode variar entre 3 a 6 metros. O cearense Adilton Mariano é o atual recordista de permanência, em pé, sobre a onda da pororoca com o tempo de 34 minutos e 8 segundos.

