Os dois postais de Jeri
Grande parte dos cliques de uma câmera fotográfica em Jeri acontece diante uma rocha batizada de Pedra Furada ou sobre a Duna do Pôr do Sol. Ambos os lugares são monumentos formados pela natureza que embelezam ainda mais este abençoado povoado.
Para chegar à Pedra Furada, basta caminhar pela praia por cerca de 50 minutos durante a maré baixa. Durante o trajeto, pode-se intercalar o exercício com banhos no mar ou em piscinas naturais. Quando a maré estiver cheia, o caminho alternativo é a trilha que corta o Morro do Serrote. Nesse caso, o visitante será compensado com uma vista panorâmica do vilarejo. Para os que se cansam facilmente, existe a possibilidade de alugar um cavalo. Ao alcançar a Pedra Furada, muitos preferem admirá-la por alguns momentos antes de se refrescarem no mar. A atração é uma imponente formação rochosa de basalto avermelhado que possui um arco de 4 metros de altura. Normalmente, no mês de julho, é possível ver o sol se pôr exatamente no vão da rocha. Essa particularidade faz com que inúmeros turistas se aglomerem no local para registrar o espetáculo do fim de tarde.
Por estar no extremo norte do Ceará, Jeri é um dos poucos lugares no Brasil onde é possível ver o sol se pôr no mar. Por conta disso e da existência de uma imensa duna de 30 metros de altura à esquerda do vilarejo, um ritual se estabeleceu. Diariamente, por volta das 17 horas, centenas de pessoas sobem a montanha de areia batizada de Duna do Pôr do Sol para acompanhar o poente. Enquanto isso, no sopé da duna, moradores praticam capoeira e meninos jogam bola. Quando o sol começa a mergulhar no mar, com o horizonte pintado em tonalidades que variam do róseo ao alaranjado, acontece um pipocar sem fim de flashes. Depois que o sol desaparece no horizonte, alguns não se contêm e aplaudem a cerimônia. Outros, ainda mais emocionados, preferem o silêncio. Nesse instante, muitos percebem que realmente existe algo de especial em Jeri. Ali o essencial da vida é simplesmente estar vivo.

