Patrimônio doce e saboroso
Se você não deseja ver um pernambucano irritado, nem ouse em querer comparar o bolo-de-rolo a um mero rocambole. Para eles, a deliciosa iguaria feita de camadas finíssimas de pão-de-ló recheadas com goiabada é tão importante que se tornou oficialmente um Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco.
Em Recife é raro encontrar alguém que não associe o bolo-de-rolo à Casa dos Frios. A tradicional delicatessen é a responsável pelo feitio da mais aclamada receita do quitute na capital. Fundada em 1957 na Rua da Palma, no centro da cidade, a Casa dos Frios possui lojas nos bairros de Boa Viagem e da Graça. Também é possível encontrar o bolo-de-rolo em um quiosque da empresa que funciona no saguão do Aeroporto de Guararapes.
Toda a produção do bolo é feita na loja matriz, localizada na Rua Rui Barbosa. Ali, uma das mais leais funcionárias é Dona Ana Maria Soares. Com mais de 80 anos, a incansável senhora trabalha há décadas na empresa. Nos anos 70, ao lado da proprietária Fernanda Dias, foi ela quem desenvolveu e aperfeiçoou a festejada receita do bolo-de-rolo. Dona Ana revela que seu diferencial é a técnica de enrolar as finíssimas camadas do bolo. “Tem que ser feito com a massa ainda quente. E apertar bastante”. Ela ressalta ainda que é importante espalhar bem o recheio e não colocá-lo em excesso.
Apesar de o bolo-de-rolo pedir tradicionalmente o recheio de goiabada, na Casa dos Frios é possível encontrá-lo nos sabores de doce-de-leite, ameixa, chocolate, nozes e maracujá. Seja qual for a escolha, o importante é saber que, ao prová-lo, degusta-se também um dos maiores símbolos da culinária pernambucana.

