Passeio pelo Pelô

Se o Brasil começou por Salvador, Salvador começou no Pelourinho. Principal ponto turístico de Salvador, o “Pelô” – apelido pelo qual é carinhosamente conhecido – é o coração pulsante da capital baiana. Tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, sua área possui cerca de oitocentos casarões coloniais dos séculos XVII ao XIX, além de bares, lojas, restaurantes, igrejas e museus. Lá também estão as sedes de entidades culturais como os Filhos se Gandhy e o Olodum.

A história do Pelourinho alterna momentos de glória e de degradação social. Entre os séculos 16 e 20, serviu como reduto da aristocracia e do poder político e econômico. A partir de meados do século passado, com a expansão da capital baiana, a região entrou em decadência. Porém, em meados dos anos 90, o poder público deu início a um processo de restauração, recuperando casarões, sobrados e igrejas. Consequentemente, as ruas passaram a ser limpas, seguras e bem iluminadas, resgatando sua vocação turística como o mais importante conjunto arquitetônico barroco de Salvador.

O Pelourinho

O nome pelourinho é uma referência a uma coluna fixa situada em área pública usada para amarrar os escravos e castigá-los com açoitadas. Até o século XIX, um dos pilares instalados pela cidade ficava no atual Largo do Pelourinho.

Um passeio pelo Pelourinho pode ter início pela Praça Tomé de Souza, a mais antiga da cidade e a mesma do Elevador Lacerda. Dali avista-se a deslumbrante Baía de Todos os Santos e o Mercado Modelo. Em seguida, o visitante pode conhecer a Praça Quinze de Novembro, mais conhecida como Terreiro de Jesus por ter abrigado a antiga igreja do Colégio de Jesus. No meio da praça há um imponente chafariz francês de ferro que data do século 19. Outro interessante ponto a ser visitado no Terreiro de Jesus é o boteco Cravinho, que serve infusões feitas com cachaça.

A passo mais lento, a caminhada segue adiante até a Igreja e Convento de São Francisco. Considerada uma das mais ricas igrejas do país, seu interior é coberto em ouro e sua fachada barroca data de 1723. Pode-se ainda admirar os painéis de azulejos portugueses que reproduzem o nascimento de São Francisco e sua renúncia aos bens materiais.

Misturado aos nativos, o visitante passa a descobrir os encantos e a magia do Pelourinho. Há mulheres fazendo tranças no cabelo de crianças, artistas pintando quadros na calçada, rodas de capoeira ao som do berimbau, baianas e seus tabuleiros com deliciosos quitutes e, claro, gente oferecendo fitinhas do “Senhor do Bonfim”. Em meio a sobrados coloridos, há um rico emaranhado de vielas, becos e ladeiras. A cada passo descobrem-se lojas de artesanato, bares e restaurantes com cardápios de diferentes especialidades. Pelas ruas de paralelepípedo, vê-se uma saudável mistura de povos. Soteropolitanos, brasileiros, e gringos: todos convivem harmoniosamente sem distinção de raça ou credo.

Do Largo do Pelourinho é possível avistar inúmeras construções coloniais, dentre as quais a Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, do século 18, cenário do filme “O Pagador de Promessas”. No largo, às terças-feiras, pouco antes do sol se pôr, acontece a bênção na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – a mesma igreja azul vista em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Ao lado da igreja está o Museu da Gastronomia Baiana, outro ponto que merece ser visitado. Para terminar o passeio, suba a Ladeira do Carmo para conhecer o belíssimo Hotel Convento do Carmo.