Projetos bem sucedidos

Paulo Chaves, secretário estadual de cultura, é um dos principais responsáveis pela transformação de Belém. Em meados da década de 90, a cidade era apenas mais uma das capitais brasileiras; hoje, é o principal pólo turístico e cultural da região amazônica. No período inicial de sua gestão, o arquiteto Paulo Chaves sofreu com as críticas e a descrença da população ao apresentar o projeto Feliz Lusitânia. Sua meta de restaurar o patrimônio histórico da cidade e revitalizar uma área decadente parecia ser utopia. Atualmente é difícil imaginar a capital paraense antes da recuperação do Forte do Presépio, da Casa das Onze Janelas ou do Theatro da Paz. Como pensar em Belém sem a Estação das Docas, o Mangal das Graças ou o Parque da Residência? Antes de Paulo Chaves, nada disso existia.

Parque da Residência

O complexo batizado de Parque da Residência foi inaugurado em 1998. O nome é justificado pelo palacete em estilo neoclássico que serviu de residência aos governadores do Pará do início do século 20 a meados da década de 90. Depois de desativado como moradia oficial, o terreno passou por reformas e se transformou num agradável parque.

Além de sediar a Secretaria Executiva de Cultura, o parque possui orquidário, fonte, chafariz e abriga a estátua do ilustre escritor e poeta paraense Ruy Barata. Há ainda a Estação Gasômetro – um espaço construído em ferro inglês com teatro e exposição permanente de um Cadillac da década de 50 que servia de veículo oficial do governador -, anfiteatro e espaço para eventos culturais.

O horário ideal para conhecer o Parque da Residência é antes do almoço. O complexo inclui o restaurante Restô do Parque, que além de estar em local agradabilíssimo, serve um ótimo buffet à quilo. Depois do almoço, uma opção antes de ir embora é conhecer um antigo vagão de trem que pertencia à extinta ferrovia Belém-Bragança. Dentro dele funciona uma sorveteria, motivo suficiente para considerar uma sobremesa.

Theatro da Paz

O início da construção do Theatro da Paz aconteceu em 1868. Inaugurado dez anos depois, tornou-se símbolo dos tempos áureos da borracha. Construído com recursos dos antigos barões de borracha, em estilo neoclássico, foi inspirado no Teatro Scalla de Milão. Majestoso e imponente, o painel do teto foi pintado por De Angelis. Na entrada do teatro, quatro bustos representam a música, a poesia, a tragédia e a comédia. Apesar de tombado pelo Patrimônio Nacional em 1963, foi somente após a reforma concluída em 2002, que o Theatro da Paz recuperou seu merecido status junto à sociedade belenense.

Estação das Docas

Na zona portuária de Belém, armazéns em ferro inglês construídos no século 19 serviam apenas para armazenar carga. Guindastes eram usados apenas para carregar contêiner. Hoje, os mesmos armazéns abrigam bons restaurantes e eventos culturais; e os guindastes servem de fundo decorativo em fotografias. A decadente área portuária de Belém ganhou projeto de revitalização na gestão de Paulo Chaves e se transformou na Estação das Docas, a principal atração turística da cidade.

Inaugurada em 2001, o Estação das Docas conta com três armazéns e um pequeno terminal fluvial onde são vendidos passeios pela orla da cidade. O primeiro armazém, chamado de Boulevard das Feiras e Exposições, é um espaço dedicado a eventos culturais, exposições de médio porte, feiras e seminários. O armazém do meio é o Boulevard da Gastronomia. Nele há seis restaurantes, livraria e sorveteria. Seja na hora do almoço, com as opções que variam da comida paraense à japonesa, da italiana à contemporânea, ou no happy hour, quando petiscos e caipirinhas de frutas regionais são os destaques, o local está sempre repleto de gente. À noite, há shows musicais em um palco elevado e móvel que corre próximo do teto. O último armazém é o Boulevard das Artes, onde estão uma cervejaria, dois quiosques que servem almoço rápido, doces e cafés, uma galeria de arte e lojas de artesanato e serviços.

Não há turista que vá embora de Belém sem antes caminhar pelo calçadão ao lado dos galpões que margeiam a Baía de Guajará. O movimento é intenso. Enquanto uns tomam sorvete de cupuaçu da Cairu à espera do passeio fluvial de fim de tarde, outros se refrescam com um chope com aroma de bacuri da Amazon Beer contemplando o crepúsculo de Belém. Casais namoram ao sol poente enquanto beliscam iscas de filé de carne de búfalo. Crianças brincam de tirar fotos. Pais pedem para elas não correrem por entre as mesas cheias de gente. A antes sombria zona portuária é hoje motivo de orgulho dos moradores de Belém.

Mangal das Garças

O Mangal das Garças está localizado às margens do rio Guamá e ocupa uma área de mais de 40 mil metros quadrados. Inaugurado em 2005, possui viveiro de pássaros, borboletário e um farol-mirante com 50 metros de altura. Durante o passeio, o visitante pode avistar quelônios, guarás e garças, parar num quiosque para um sorvete ou visitar a loja que expõe e vende plantas e artesanato. Há ainda a opção de seguir em uma passarela sobre a várzea até um mirante sobre o rio Guamá.

O pavilhão central do Mangal das Garças abriga o Memorial das Navegações – um museu com exposição permanente sobre a história das embarcações amazônicas – e o Manjar das Garças, um ótimo restaurante que serve buffet com preço fixo no almoço e cardápio a la carte no jantar.

Onze janelas e arredores

Ao longo de sua história, a Casa das Onze Janelas já foi deste a primeira residência dos governadores do Grão-Pará, em 1771, até um hospital militar. A construção em estilo neoclássico é uma obra de Antônio Landi. A seu lado, está o Forte do Presépio, ponto de fundação da cidade em 1616.

A Casa das Onze Janelas é hoje um museu de arte contemporânea e abriga também o restaurante Boteco das Onze. O ambiente interno tem ares de pub inglês e conta com cardápio internacional. Já sua área externa inclui um terraço com vista para o rio Guamá. Ao entardecer, o local é disputado não somente por causa do belo pôr-do-sol, mas também devido aos petiscos e salgados deliciosos que saem da cozinha do Boteco das Onze. Entre as opções do cardápio, coxinhas suculentas de caranguejo e bolinhos crocantes e sequinhos de bacalhau.