Sucesso paraibano
É díficil encontrar um pessoense que desconheça o Mangai. Fundado em 1990, o tradicional restaurante especializado em comida nordestina se tornou a principal referência gastronômica de João Pessoa. Seu bufê com dezenas de pratos regionais é saboreado diariamente por centenas de pessoas que se dividem entre os privilegiados moradores locais e os turistas que já saem de lá com saudades.
A história do Mangai começou como uma simples vendinha onde eram comercializados produtos do sertão. Ali Leneide Maia Albuquerque, paraibana de Catolé da Rocha, vendia rapadura, farinha, queijo de coalho, queijo de manteiga, carne de sol e outros. Com o passar do tempo, os clientes mais assíduos começaram a exigir um pãozinho para comer junto com o queijo manteiga, uma xícara de café para acompanhar a rapadura e assim por diante. Com tantos pedidos, Dona Leneide passou a servir, no final da tarde, uma ceia nordestina com tapiocas, pamonhas, canjicas e alguns outros itens. O sucesso foi tanto que o próximo passo foi abrir um restaurante para atender a crescente demanda.. E assim nasceu o Mangai.
O cliente que chega ao Mangai encontra um ambiente semelhante ao de uma fazenda interiorana. A rusticidade está por todos os lados: o teto é de palha, as paredes são de tijolos aparentes e as mesas e cadeiras são de madeira. Num canto, há um carro de boi. No outro, a escultura de uma simpática cabrinha. A preocupação em retratar o sertão também é notada no uniforme dos funcionários. Um garçom vestido de Lampião, com chapéu de cangaceiro e sandália de couro, oferece como cortesia da casa os cachos de banana junto a uma parede. Já sua companheira, a garçonete parecida com Maria Bonita, mostra as garrafas de café e leite, que também podem ser servidos à vontade.
O serviço atencioso e a decoração caprichada seriam irrelevantes caso a comida não fosse de primeira qualidade. Depois de provar as receitas do Mangai, fica a certeza que a fama de sua boa gastronomia é mais do que justificada. Um serviço de bufê a quilo oferece dezenas de iguarias regionais. Entre os destaques da casa, estão os pratos que utilizam o bode – como buchada, pernil, costela, picadinho, guisado –, a carne de sol com nata, o “sovaco de cobra” – carne de sol moída com milho e cebola –, a “gororoba” – uma mistura feita com macaxeira, charque, e queijo -, o “rubacão” – arroz com feijão, charque, legumes, queijo coalho e nata -, e o “feijão do veio” – feijão verde com carne de sol e nata. Outras especialidades presentes no bufê incluem: baião de dois, macaxeira, inhame, batata doce, banana-da-terra, cuscuz de milho, paçoca, arroz de leite, feijão de corda, fava, queijo de coalho empanado, cartola, lasanha de macaxeira, escondidinho, além de farofas de banana, de feijão verde, de bode e de carne de sol.
Além do rico e variado bufê, o Mangai oferece algumas opções a la carte, como tapiocas, cuscuz, pamonhas, pão de macaxeira com queijo manteiga derretido e outros. Por não servir bebidas alcoólicas, a maioria dos clientes opta em seguir a tradição sertaneja e bebe sucos de frutas regionais durante o almoço e café com leite na ceia vespertina. Na seção de sobremesas do cardápio, as escolhas mais usuais são a Cartola de Ouro – fatias de banana frita com canela, açúcar, chocolate em pó, queijo manteiga derretido e bola de sorvete – e o Coco Zoião – uma gostosa cocada caseira servida numa quenga de coco sorvete e leite condensado.
Com tantas opções, cada uma mais saborosa que a outra, a cena mais comum é ver os clientes retornando ao bufê uma, duas, três vezes. E para aqueles que desejarem levar um pouco do Mangai para casa, há uma vendinha ao lado do restaurante com bolos, pães, farinhas e outros quitutes deliciosos.
A lanchonete Mundial Lanches
Outra casa tradicionalíssima em João Pessoa é a Mundial Lanches. Fundada em 1966 – ano de Copa do Mundo; daí a origem do nome – por Jurandy Zacarias de Souza, o estabelecimento é uma das principais referências gastronômicas entre os pessoenses. Freqüentada por centenas de pessoas diariamente, de estudantes em busca de um lanche barato a avós que passeiam com os netinhos, a casa tornou-se famosa por causa de seu cachorro-quente com caldo de cana. Mas a receita da iguaria difere daquela conhecida nacionalmente. Ali o sanduíche leva, além da salsinha, carne moída e vinagrete. Somadas as vendas da loja matriz, localizada no bairro de Jaguaribe, com as filiais, a Mundial Lanches vende uma média diária de dois mil cachorros quentes.

