A porta de entrada dos Lençóis
A cidade de Barreirinhas, a cerca de 270 km de São Luís, é a principal porta de entrada do Parque Nacional dos Lençois Maranhenses. A capital maranhense e o município são ligados por uma boa estrada asfaltada que ainda carece, por muitos quilômetros, de postos de gasolina.
Localizada às margens do Rio Preguiças, o município é ponto de partida para os passeios que levam às lagoas cristalinas em meio a exuberantes dunas de areia. Com uma população de aproximadamente 45 mil habitantes, Barreirinhas é bastante procurada por turistas devido à infra-estrutura de pousadas, restaurantes e agências de viagem.
Após ter desfeito as malas, com o relógio marcando duas da tarde, é hora de ganhar as ruas em busca de um bom restaurante para apaziguar a fome. A maioria das pousadas está localizada ao redor da área central de Barreirinhas, eliminando a necessidade de carros para se locomover. As ruas de pedra estão em terreno plano, facilitando a caminhada apesar do sol forte. Ao ir se acostumando com a cidade, percebe-se que o chão pavimentado é coberto por uma fina película de areia. Provavelmente, ela foi veio das dunas do parque, a quilômetros de distância, trazida nas rodas de jipes, nos chinelos dos turistas ou carregada pelo vento.
A Avenida Beira Rio, às margens do Rio Preguiças, é onde se concentra a grande parte dos restaurantes de Barreirinhas. Dali também saem as canoas motorizadas que levam os turistas em passeios pelo rio, em direção ao Atlântico e aos povoados de Atins e Caburé. É no meio deste fuxico que está o Restaurante do Carlão.
O restaurante do Carlão
O restaurante do Carlão
Carlão é um dos mais conhecidos cozinheiros de Barreirinhas. Seu nome é sempre mencionado por funcionários em pousadas e agências de turismo quando alguém pede opções de bons restaurantes na cidade. Simpático e tranquilo, Carlão é natural de Fartura, no interior de São Paulo. Ele conta que seu interesse pela cozinha nasceu como conseqüência de uma outra paixão: a pesca. “Uma hora ou outra todo pescador vai parar na cozinha. Precisam preparar o peixe que pescaram, né? Uns se apaixonam por ela e de lá nunca mais saem. Foi esse o meu caso”.
Carlão se iniciou no ramo de gastronomia ao abrir um restaurante em Fartura. Anos depois, ao visitar seu irmão em São Luís, quis conhecer os Lençóis Maranhenses. Não demorou a se encantar pela região e decidir que ali desejava morar. Ao se transferir para o Maranhão, em 1998, Carlão conta que tudo era diferente dos dias atuais. “Quando cheguei por aqui, havia muito turista rico. A maioria vinha em avião de São Luis. Eles chegavam a Barreirinhas e partiam direto para o litoral, para Atins ou Caburé. Hoje, são muitos os mochileiros, as turmas de jovens. A maioria dos turistas acaba ficando em Barreirinhas. E são raros aqueles que passam mais de quatro ou cinco dias por aqui”.
Antes de comandar o restaurante que leva o seu nome, Carlão trabalhou em pousadas em Barreirinhas, Atins e Caburé. Com a experiência adquirida ao longo dos anos, o talentoso cozinheiro percebeu que havia poucos restaurantes que serviam algo além de peixe frito, arroz e farinha. Decidido a criar uma marca registrada, Carlão desenvolveu suas receitas usando ingredientes locais. Depois de vários testes, chegou à conclusão de que sua assinatura seriam os peixes ao molho de frutas regionais. “Aqui em Barreirinhas há frutas deliciosas o ano inteiro, a maioria desconhecida pelos turistas”. Carlão diz que ainda conta com o privilégio de ter o robalo – um peixe saboroso, de carne firme e poucos espinhos – em abundância no litoral maranhense.
Com seu cardápio de peixes ao molho de cajá, murici, caju, goiaba, e manga, Carlão pode ter uma certeza: serão muitos os turistas que irão pelo menos duas vezes a seu restaurante durante a breve estadia em Barreirinhas.
Doces Dagente
O doce de buriti
Além da Oficina de Artesanato, há ainda uma outra cooperativa em Barreirinhas, a Doces Dagente. Localizado junto à Praça da Matriz, o estabelecimento funciona em horário comercial e nele são encontrados bombons, compotas e o delicioso doce de buriti. Este, vendido em barra dentro de caixas de madeira, se assemelha a uma goiabada. Tão delicioso quanto o doce mineiro, o doce de buriti também é ideal com uma fatia de queijo.
A Oficina de Artesanato
Depois de acordar de um merecido cochilo após o almoço, é hora de visitar a Oficina de Artesanato de Barreirinhas. Localizada numa rua transversal à Avenida Beira Rio, o local funciona em forma de cooperativa comunitária. Com o apoio do Sebrae, moças e senhoras transformam a fibra do buriti, uma palmeira nativa, em delicados produtos artesanais. Além de conhecer a rotina de trabalho das artesãs, é possível comprar chapéus, tapetes, bolsas, jogos americanos, toalhas de mesa, redes e outros.
Uma das artesãs explica que para trabalhar a fibra de buriti é preciso extrair o pecíolo – o embrião das folhas -, da palmeira antes que ele amadureça. Do pecíolo, ou o olho do buriti, como muitos o conhecem, retiram-se as fibras, uma a uma. Em seguida, são cozidas em água abundante e estendidas ao sol. Depois de secas, as fibras são tingidas com urucum, açaí ou outras sementes naturais conforme a predileção das artesãs. A fibra é então trabalhada por mãos habilidosas, transformando-se em produto artesanal.
Uma outra artesã, mais idosa, diz viver exclusivamente do buriti. Assim como ela, muitos ribeirinhos têm na palmeira a sua principal fonte de renda.

