A tapioca do uruguaio
Com a temperatura amena do final do dia, uma sugestão de programa agradável é caminhar até a Oca da Tapioca. Localizado junto ao cais do Rio Preguiças, onde balsas fazem a travessia de jipes com turistas em direção ao parque dos lençóis, o estabelecimento serve saborosas tapiocas.
Ao entrar na Oca da Tapioca, nota-se que os proprietários formam um casal jovem e de bem com a vida. Pelas características físicas de cada um, é possível pressupor que eles nasceram em lugares diferentes. Guillermo tem a pele clara, rosada de sol, cabelos aloirados e olhos azuis. Sua esposa Jônia possui traços indígenas, cabelos e olhos cor de jabuticaba. Quando falam sobre suas origens, a suposição se confirma: ele é uruguaio, ela maranhense. O casal se conheceu em São Luis. No instante em que se viram pela primeira vez decidiram ficar juntos.
A tapioca do Guillermo
Guillermo, trinta e poucos anos, conta conhecer 16 países. Sempre foi um viajante, fuçando e aprendendo com tudo e com todos. Antes de conhecer Jônia, dizia-se um cidadão do mundo. “Já viajei muito. Agora é hora de ficar por aqui, e junto dela”, revela com leve sotaque castelhano. Guillermo está no Brasil desde 2004. Já percorreu grande parte do litoral, do sul ao norte. Ao chegar ao Maranhão, sentiu algo diferente no ar. Percebeu que era hora de mudanças. Não demorou muito, conheceu Jônia, e a seu lado, decidiu inaugurar a Oca da Tapioca. Na empreitada, Guillermo seria o responsável pela feitura das tapiocas e Jônia cuidaria do serviço e do espaço destinado ao artesanato – colares, pulseiras e tornozeleiras feitos por ela mesma.
O cardápio da Oca da Tapioca se divide em tapiocas salgadas e tapiocas doces. É possível escolher entre recheios de carne de sol com requeijão; presunto, queijo e orégano; calabresa, queijo e orégano; coco ralado e queijo; chocolate e castanhas de caju; goiabada e queijo; ou banana caramelada, canela e queijo. Assim que o pedido é feito, Guillermo liga o fogareiro e polvilha, com a ajuda de uma peneira, uma quantidade generosa de tapioca sobre uma frigideira anti-aderente. Em segundos, os grãos começam a se unir. Com um movimento preciso, Guillermo vira a tapioca de lado e pincela um pouco de manteiga. Depois, ele espalha um pouco de queijo coalho ralado sobre a superfície dourada. Em seguida, um bocado de coco ralado e um fio fino de leite condensado. O queijo vai derretendo, unindo-se aos sabores adocicados. É hora de Guillermo dobrar a tapioca no meio, apanhar um prato e servir o cliente que aguarda com água na boca.
Sorvete de Tapioca
Numa das principais avenidas de Barreirinhas, está a sorveteria Sorvetão. O local é uma boa opção para se refrescar com uma bola de sorvete. Seu proprietário, o senhor Ormilson, conta que a fama do estabelecimento se deve ao sorvete de tapioca. “De cada 10 bolas, 8 são de tapioca”. O sorvete é produzido artesanalmente no local com a tapioca de qualidade que vem de um fornecedor do Pará.

