O merecido respeito ao vinho
O Vale dos Vinhedos é uma região na serra gaúcha, nos arredores de Bento Gonçalves, aonde se concentra grande parte das melhores vinícolas do país. Seu clima subtropical, com boa amplitude térmica e altitude em torno de 650 m, oferece condição propícia para o cultivo da uva. A criação do distrito do Vale dos Vinhedos aconteceu em 17 de agosto de 1990 com o intuito de alcançar o reconhecimento nacional da qualidade dos vinhos ali produzidos. Em 1995, seis vinícolas se associaram e criaram a APROVALE – Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos – com o objetivo de conquistar os mercados mais exigentes.
Nos anos seguintes, decidiram também desenvolver e incentivar a pesquisa vitivinícola, promover a organização e a preservação do espaço físico, e estimular o potencial turístico da região. Atualmente, a associação conta com 24 vinícolas associadas, além de 19 associados que consistem de hotéis, restaurantes, e produtores artesanais localizados dentro do Vale dos Vinhedos. Dentre os feitios da associação, destaca-se a implementação de um selo de qualidade e procedência vinculado nos rótulos dos vinhos finos produzidos na região.
O vinho
Por mais simples que possa parecer, o significado de vinho nada mais é do que o produto derivado da fermentação do mosto da uva. Entretanto, nenhum vinho é igual a outro. São muitas as variáveis que podem influenciar na elaboração de um vinho; de chuvas que não são bem vindas a um armazenamento inadequado. Cláudio Fornari, autor do Dicionário-Almanaque de Comes e Bebes, explica que “para escolher o vinho certo, sem o risco de morrer de raiva ou de cirrose, você tem dois caminhos: ou adquira algum conhecimento enológico, ou fique amigo do sommelier mais próximo”.
Há várias vinícolas localizadas no Vale dos Vinhedos que oferecem degustação e visitas guiadas por parreiras e adegas. Cabe ao visitante escolher algumas delas e, assim, ir aprendendo sobre essa bebida consumida desde a antiguidade.
Lídio Carraro
A Vinícola Lídio Carraro iniciou suas atividades em 1988 com um projeto de criar o chamado “vinho de boutique”, ou seja, um vinho de alta qualidade. Para isso desenvolver a reconversão e a implantação de novas áreas de vinhedos próprios no Vale dos Vinhedos. Em 2002, a vinícola elaborou seus primeiros vinhos, recebendo ótimas criticas de especialistas pelo Merlot e Assemblage.
- Lidio Carraro : Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 459-1222
Casa Valduga
A vinícola Casa Valduga é uma das mais respeitadas e reconhecidas nacionalmente. A família é proveniente da cidade de Rovereto, na Itália, e logo que chegou ao Brasil, durante o período de imigração, plantou os primeiros parreirais. Após ter-se iniciado no mercado de vinhos em 1973, a Casa Valduga vêm conquistando respeito e premiações no Brasil e no exterior. Em 1992, a empresa inaugurou um complexo composto de pousada e restaurante para poder receber ainda com mais aconchego os seus visitantes.
- Casa Valduga: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 453-3122
Casa de Madeira
A Casa de Madeira, pertencente à família Valduga, produz derivados da uva como grapa e geléia. Porém os produtos de maior sucesso são os dois tipos de sucos de uva, o branco e o tinto. O primeiro é feito apenas com uvas verdes, e o segundo da forma tradicional, com castas de uvas roxas. Ambos são 100% natural, sem conservantes e sem adição de açúcar. O local ainda produz doces de frutas e vinagre balsâmico.
- Casa de Madeira: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 453-5678
Cordelier
A família Ziero é originária de Padova, norte da Itália, e chegou ao Brasil em 1886 quando Eugênio Ziero desembarcou no país. Em sua bagagem, ele trouxe mudas de videiras. A tradição em fazer vinhos seguiu adiante através das gerações até que, em 1972, Lídio Ziero fundou a Vinícola Cordelier. Este nome é uma homenagem aos antepassados que pertenceram a L’Ordre de Saint-François D’Assise, cuja vestimenta era adornada pelo “cordelier”, uma corda de nós. Sendo assim, os frades eram conhecidos como “Les Cordeliers”. Além de estar aberta para visitação e degustação, a vinícola também abriga o restaurante Don Ziero, cujo cardápio pode ser harmonizado com os vinhos feitos no local.
- Vinícola Cordelier: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 2102-2333
Don Laurindo
Marcelino Brandelli desembarcou no Brasil em 1887, vindo de Verona, norte da Itália. O imigrante após se instalar na região de Bento Gonçalves, assim como vários italianos, iniciou o plantio de videiras. Mais de meio século depois, em 1946, seu filho Cezar adquiriu uma propriedade de 30 hectares, localizada no mesmo local onde hoje está a vinícola Don Laurindo.
Em 1991, o filho de Cezar, Laurindo, reuniu seus filhos e, juntos, decidiram iniciar a produção de vinhos finos visando o mercado nacional. A vinícola Don Laurindo, constituída exclusivamente por membros da família Brandelli, está numa localização privilegiada no Vale dos Vinhedos, numa área de vales e montanhas que se assemelha ao norte da Itália. No tour guiado por um membro da familia, seguida de degustação, o visitante circula por entre imensos tonéis, e barricas de carvalho que maturam os vinhos de safras anteriores.
- Don Laurindo: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 459-1600
Cave de Pedra
Além de vinhos finos, a vinícola Cave de Pedra também produz espumantes de qualidade. Estes são elaborados pelo processo champenoise (a segunda fermentação ocorre na própria garrafa). Para conseguir um produto de qualidade através desse método, a empresa construiu caves de pedra para possibilitar o armazenamento das garrafas num ambiente com temperaturas amenas e constantes ao longo do ano. As caves de pedra, que ficam dentro de um castelo com arquitetura medieval, podem ser conhecidas pelos visitantes.
- Cave de Pedra: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves – RS – (54) 459.1268
Histórico da Vitivinicultura no RS
Década de 1880: um grupo de produtores de uvas de Caxias do Sul passa a importar variedades viníferas européias com o intuito de melhores castas.
Início do século 20: o mercado local e regional é insuficiente para consumir todo o vinho produzido. Passa a ser necessário buscar novos consumidores para absorver a produção excedente.
Década de 10: Com a construção da ferrovia Montenegro – Caxias do Sul, o transporte de vinho à Porto Alegre passa a ser possível.
1928: Oswaldo Aranha, Secretário da Fazenda, oficializa o Sindicato do Vinho, que tem como objetivo intervir no setor como um órgão regulador da oferta e da procura, mantendo a ordem dos preços e da qualidade.
1929: É Criada a Sociedade Vinícola Riograndense Ltda., órgão comercial do Sindicato do Vinho, com o objetivo de melhorar a reputação do vinho gaúcho junto aos mercados de Rio de Janeiro e São Paulo. Como conseqüência a isto, surgem as primeiras cooperativas vitivinícolas.
1967: É fundada a União Brasileira de Vitivinicultura – Uvibra – uma entidade que reúne e congrega as empresas de vitivinicultura do país.
Décadas de 60 e 70: Acontece a entrada de empresas internacionais no mercado brasileiro. Dentre as quais: Chandon, Maison Forestier, e Martini.
Década de 90: A tecnologia do setor vitivinícola alcança novos patamares, e chega às pequenas vinícolas. Estas passam a controlar as fermentações, e a utilizar tanques de aço inoxidável. A década é marcada assim pelo fortalecimento de vinícolas familiares que deixam de vender sua uva para as grandes vinícolas e passam a utilizá-la na produção e comercialização dos próprios vinhos.

