Uma família italiana
No município de Garibaldi, há uma rota gastronômica denominada Estrada do Sabor. Seu objetivo é oferecer, através do turismo rural, a experiência de participar da rotina de famílias italianas; seja observando o feitio de um salame, colhendo a uva no parreiral para fazer vinho ou simplesmente conversando na cozinha enquanto a anfitriã prepara uma polenta para o almoço.
A senhora Odete Bettú Lazzari faz questão de receber todos os visitantes na porta. O largo sorriso estampado no rosto de pele rosada é sinônimo de boas vindas. Sua hospitalidade faz qualquer um se sentir em casa. Após a apresentação de suas quatro filhas – Rosângela, Raquel, Roselaine e Raíssa -, Dona Odete prefere evitar formalidades e logo chama o convidado para dentro da cozinha. Lá, sempre há algo sendo feito. Pode ser pães assando no forno ou panelas borbulhando com molho de tomate ou geléias de frutas. Mas hoje, Dona Odete está com o fogo aceso para preparar uma autêntica polenta italiana.
A polenta é um prato bastante simples e tem origem na região do Vêneto, Itália. É bastante eclética e pode ser feita grelhada, assada, frita, mais mole ou mais dura, fria ou quente. Pode ser servida com galeto, carne desfiada, parmesão, gorgonzola, alichi, ovo; coberta com molhos de cogumelos, de ervas, de lingüiça, ou simplesmente com manteiga. Sua cor amarelo-dourada é alcançada após um grande esforço de uma cozinheira de braços fortes. Por vários minutos, ela atem que mexer sem parar a sêmola de milho que é polvilhada dentro de água fervente com sal.
É necessário que a panela seja funda, abaulada; e não pode ser galvanizada, senão a elevada temperatura de cozimento derreteria o zinco. Normalmente, para cada litro de água, utiliza-se entre 300 e 350 gramas de sêmola de milho. Para uma polenta mais macia, a sêmola deve ser recente, moída bem fina, estar seca e sem grumos. No final do feitio, lembre-se de que será bem-vinda uma ajuda à cozinheira. O trabalho dela se torna ainda mais árduo e penoso quando a mistura vai ficando mais espessa. Após desgrudar da panela, a polenta será virada de uma só vez sobre uma tábua de madeira. E, minutos depois, deve ser cortada com um fio.
Enquanto Dona Odete termina de colocar a mesa, sua filha Rosângela mostra o restante da casa. Do lado de fora, há galinheiro, pomar e horta. Sendo assim, a maioria daquilo que a família precisa para cozinhar é conseguido dentro da propriedade. No porão da casa, de chão batido e paredes de pedra, há um museu que guarda os pertences de gerações passadas, assim como fotos e documentos antigos.. No local, há também uma comprida mesa de madeira onde grupos numerosos costumam almoçar quando visitam a família.
Dona Odete chama Rosangela e diz ser hora do almoço. Todas sentam à mesa que está posta com pão caseiro, salada de almeirão, galeto, espaguete com molho de lingüiça e, claro, polenta. No final da refeição, após o pudim de leite servido como sobremesa, uma garrafa de lemoncello – um licor típico italiano feito com limão siciliano -, é colocada sobre a mesa.
Antes de ir embora, o visitante recebe de Dona Odete uma colombina, uma pombinha feita de massa de pão, cujos olhos são sementes de uva. A colombina faz parte da memória de quase todas as pessoas de descendência italiana. Dona Odete faz questão que seu presente seja entregue a todos. É uma forma de preservar pequenas tradições que vão sendo perdidas com o passar dos anos. E, para o visitante, uma lembrança para nunca se esquecer dessa família tão querida.

