Churrasco na Vala

Qualquer pessoa quando escuta a palavra churrasco, logo a associa com o povo gaúcho. Pode-se até discutir o ponto da carne, do corte, ou da salga, mas não há como contestar que a cultura de assar um pedaço de carne é algo que lhes pertence.

Churrasquear é uma tradição que segue adiante, inabalável, de geração em geração. E já que o assunto é o tradicionalismo, o churrasco preparado na vala é a melhor forma de apresentar essa imensurável paixão aos visitantes.

Ao chegar ao Pomar Cisne Branco, em São Francisco de Paula, o visitante é recebido por um funcionário em trajes tipicamente gaúchos. As boas-vindas prosseguem com um tour por um galpão externo ao restaurante. Nesse local fica a vala onde se prepara o churrasco como antigamente. Dentro do buraco há pedaços de lenha em brasa que assam lentamente uma enorme costela num espeto, além de um pedaço suculento de alcatra.

O assador, vigiando atentamente o calor do fogo e o ponto da alcatra, diz assar mais de dois mil quilos de carne por mês. E revela que o segredo da costela é assar as peças inteiras por pelo menos 6 horas. Dentro do galpão, todo em chão de terra batida, há também uma pequena fogueira que esquenta um bule d’água para abastecer as cuias de chimarrão. Num outro canto, uma rústica caixa de madeira guarda o sal grosso usado como único tempero para as carnes. E ao olhar para cima, pode-se notar várias lascas de carne secando dependuradas numa viga de madeira. Dias depois, essa carne, o charque, será usada para preparar um tradicional prato gaúcho: o arroz de carreteiro.

Métodos de Antigamente

Inicialmente, os índios guaranis assavam sua carne de forma rudimentar: abriam um buraco no chão, forravam-no com folhas e colocavam a carne fresca. Depois cobriam-na com alguns ramos e terra, e acendiam o fogo. Foi somente com a chegada dos portugueses e espanhóis que se difundiu o hábito de assar a carne em espetos colocados em cima de um buraco com brasa. E há ainda a forma como os tropeiros preparavam sua carne.

Eles temperavam a carne com as cinzas do braseiro e a assavam em espetos colocados sobre um buraco aberto no chão e repleto de brasa. Com o passar do tempo, ao invés das cinzas, os tropeiros aprenderam a temperar a carne deixando-a sob a carona – nome dado às duas abas de couro colocadas embaixo da sela do cavalo – durante o transporte entre dois locais. Como a carona estava impregnada com o suor do animal, ela ajudava a salgar a carne.

Depois do tour, o visitante é convidado a assentar-se no galpão principal. Dentro dele, há um grupo tocando música regionalista e um farto buffet de comida campeira sobre o fogão a lenha. No cardápio, há feijão preto, farofa com pedaços de charque, abóbora caramelada, quirera (milho quebrado e cozido), arroz de carreteiro, além de outras opções.

Durante o almoço, o visitante pode se entreter com a música regionalista ou com a performance de um casal de gaúchos dançando ritmos locais como o bugio. Antes da sobremesa, há aqueles que dispensam a digestão e preferem ensaiar alguns passos de dança. Para os solitários ou aqueles em grupos de número ímpar, os próprios proprietários ou seus enteados podem servir de acompanhantes.

Mas se o turista preferir apenas observar tudo, tomando um cafezinho adoçado com rapadura, ele poderá também perceber que os detalhes do tradicionalismo estão por todos os cantos do galpão, seja em sua construção de vigas de madeira local, seja no preparo da ambrosia ou do pudim de leite que descansam no buffet de sobremesas ou então nas letras das canções que falam orgulhosamente na história do estado e da essência do povo.

Onde Comer

Pomar Cisne Branco
Estrada da Roça Nova s/n°
(54) 3244-1204