Surpresa num café ideal

Uma das mais belas canções do cinema, As Time Goes By, do filme Casablanca, imortalizou os versos “A kiss is still a kiss / A sigh is just a sigh” [um beijo é ainda um beijo / um suspiro é apenas um suspiro]. O lirismo da letra, que no filme é interpretada dentro do Rick´s Cafe do personagem de Humphrey Bogart, se deve à beleza e à simplicidade de pequenos prazeres; tais como descobrir que um café não é apenas mais um café.

O Café Metrópolis, localizado no centro de Curitiba, foi idealizado minuciosamente por Victor, seu proprietário. Para concretizar as imagens sonhadas de um café ideal, Victor foi para o Velho Mundo a fim de conhecer os sagrados pontos de encontro dos europeus. Lá ele freqüentou tanto os cafés clássicos quanto os contemporâneos. Ao retornar ao Brasil, Victor tinha em sua bagagem uma certa idéia de como seria seu café, além de vários livros sobre o assunto. Neles havia fotos de cafés em esquinas, em ruas cheias de vida e de pedestres, com mesas sobre a calçada cercada de floreiras bem cuidadas.

Existiam outros com fachadas rústicas, placas com o nome do local esculpido em madeira, toldos de tudo que é tipo, portas que abriam de formas diferentes, maçanetas cromadas. Já o interior era coberto de madeira para dar aconchego, com chão de ladrilhos para criar nostalgia ou com espelhos envelhecidos para aumentar a sensação de espaço. Porém, Victor sabia que criar racionalmente o lugar perfeito funcionaria até certo ponto. Para um café se tornar um local especial, onde as pessoas se sentem à vontade para refletir sobre a vida diante de uma xícara de expresso, é preciso ter algo que não está nos livros: alma. E isso é uma coisa que o Café Metrópolis tem de sobra.

Victor conta que um dia, com o café já funcionando há algum tempo, recebeu um estranho telefonema em sua casa. Era sua irmã dizendo algo que pensou ser um trote: “o Coppola está aqui. E tomando um cappuccino”. Fã do diretor que fez filmes como O Poderoso Chefão, A Conversação, e Apocalypse Now, Victor partiu imediatamente para o Café para averiguar se o fato era verídico ou apenas uma brincadeira. Ao chegar no local, viu o cineasta sentado tranqüilamente numa mesa de canto.

Francis Ford Coppola permaneceu em Curitiba por aproximadamente um mês no início de 2004. O motivo de sua viagem à capital paranaense era pesquisar metrópoles que desenvolvem soluções criativas para os problemas freqüentes da urbanização. Coppola, em seus filmes, principalmente na saga de O Poderoso Chefão, geralmente escreve e dirige pelo menos uma cena na qual seus personagens estão comendo e conversando à mesa.

O cineasta é um exímio cozinheiro, e adora comer bem, assim como filmar cenas em restaurantes, cozinhas ou salas de jantar. Em uma das mais belas de O Poderoso Chefão 3, os personagens de Mary (interpretada por sua filha Sofia Coppola) e Vincent (Andy Garcia), dois primos condenados a paixão, preparam nhoque. No comentário do filme, o diretor explica que o segredo de preparar um bom nhoque é o toque sutil, uma pequena apertadinha, que deve ser dada na massa antes de ser virada. E é essa covinha que vai deixa-la tão especial. E ainda explica que a proporção entre o peso do purê de batata e o de farinha de trigo devem ser o mesmo. Na bela cena do filme, Mary e Vincent preparam o nhoque a dois, uma mão sobre a outra, e ilustram exatamente o comentário do diretor sobre o preparo correto da massa.

Victor conta que Coppola descobriu o Café Metrópolis por acidente. O diretor estava hospedado em um hotel a um quarteirão do local. Num dia, caminhando pela cidade, ele deu de cara com o Café. Entrou e foi logo se apaixonando pelo ambiente. Decidiu então, torná-lo parte de sua rotina diária. Todo dia por volta das 10 horas, caminhava até o café para tomar sua xícara de cappuccino. Mas antes de sentar à mesa, passava na banca de frutas que fica ao lado.

Lá, o senhor Nagib, o proprietário da banca, diz que Coppola comprava sempre bananas para comer no desjejum. Nagib, descendente de italiano, pode até desenferrujar a língua de seus antepassados ao conversar com o diretor. “Ele foi muito simpático, e sempre comprava banana caturra, que significa nanica, pequena na língua indígena. Mas lembre-se que nanica é por causa do pé, não da banana”, explica o comerciante, cuja banca de frutas está ali, no mesmo lugar, há quase meio século. “Depois que o Coppola foi embora, ele até me mandou uma caixa de vinhos direto de sua vinícola”, conta o carismático senhor ao lado de um porta- retrato com sua foto ao lado do diretor.

Depois de comprar as bananas, Coppola seguia para o Café Metropolis. Lá, escrevia um pouco, lia, observava as pessoas passando ou admirava o local. “Ele gostou bastante dos ventiladores de teto e disse que queria levar alguns exemplares para colocar no resort que tem em Belize. “E também adorou o design das xícaras de expresso”, conta Victor ao explicar que a tipologia do nome do café é a mesma usada em cartazes de cinema da década de 40.

“O Coppola me perguntou se seria possível lhe enviar algumas xícaras, pois desejava colocá-las em um café que possui em São Francisco, nos Estados Unidos”. Victor logo providenciou o pedido, ainda incrédulo em relação à ilustre presença. Foi somente com o passar dos dias, vendo o cineasta entrar diariamente em seu Café, que Victor pôde realmente crer que aquele homem simples e carismático era mesmo o genial Francis Ford Coppola.

Qual o mais forte: café de coador ou expresso?

Diferentemente do que muitos pensam, o expresso tem menos cafeína do que o café de coador. Enquanto o primeiro é feito sobre pressão, o que permite extrair o sabor do café com maior rapidez, o segundo é coado lentamente, extraindo maior quantidade de cafeína. Por isso, o ideal é tomar o café coado ao acordar e o expresso antes de dormir.

Um bom expresso

O principio básico do funcionamento de uma boa máquina de café expresso nada mais é do que fazer passar água quente com bastante pressão sobre o pó de café. Mas é importante também: a água, que deve estar a uma temperatura entre 90 e 95 graus Celsius, deve passar sobre algumas gramas de café recentemente moído em pó, a uma pressão de 9 atmosferas, por aproximadamente 20 a 30 segundos, produzindo uma xícara com 25 a 30 ml de expresso. Este deverá ter uma crema – espuma consistente de cor castanho claro – sobre a superfície, e um líquido negro, profundo e aromático. Seu corpo, aroma e sabor devem ser marcantes. Somente assim o expresso levará seu apreciador à reflexão, que tanto pode ser quanto à beleza ou à melancolia da vida.

Onde Comer

Café Metrópolis
Alameda Carlos de Carvalho, 15A - Centro
(41) 3233-6034